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A Mulher-esqueleto com o canto cria para si mesma um corpo exuberante. Esse corpo criado pelo canto é prático sob todos os aspectos. Não se trata dos pedaços e partes de carne feminina idolatrados por alguns em algumas culturas; mas, sim, um corpo inteiro de mulher, que pode amamentar, fazer amor, dançar e cantar, dar à luz e sangrar sem morrer.

O canto para criar a carne é outro tema comum no folclore. Em histórias africanas, papuas, judaicas, hispânicas e do povo inuit, os ossos transformam-se numa pessoa. O náuatle Coatlique produz seres humanos adultos a partir de ossos do Mundo dos mortos. Um xamã do povo tlingit desnuda, com um canto, a mulher que ama. Nas história de todas as partes do mundo, a mágica resulta do canto. O canto produz o crescimento. Também em todas as partes do mundo, diversas fadas, ninfas e mulheres gigantes possuem seios tão compridos que podem ser jogados sobre os ombros. Na Escandinávia, entre os celtas e na região circumpolar, há histórias que falam de mulheres que criam o corpo segundo sua vontade

Comentários

  1. Deduzimos da história que a doação do corpo é uma das últimas fases do
    amor. É assim que deve ser. É bom dominar os primeiros estágios do encontro com a
    natureza da vida-morte-vida e deixar para depois as experiências práticas do corpo-acorpo. Advirto as mulheres para que não aceitem um amante que salte de uma
    fisgada acidental para a doação do corpo. Insistam no cumprimento de todas as fases.
    Assim, a última fase virá por si só. A ocasião para a união dos corpos chegará na hora
    certa.

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A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.