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Uma pessoa que tenha desembaraçado a Mulher-esqueleto conhece a paciência, sabe esperar melhor.

Ela não se choca com a escassez, nem tem medo dela. Não é dominada pela fruição. Suas necessidades de obter, de "conseguir agora mesmo", são transformadas num talento mais refinado que procura todas as facetas do relacionamento, que observa como funcionam em conjunto os ciclos do relacionamento. Ela não tem medo de se relacionar com a beleza da ferocidade, com a beleza do desconhecido, com a beleza do não-belo. E ao aprender e praticar tudo isso, essa pessoa se torna o perfeito parceiro selvagem.
Como um homem aprende essas coisas? Como qualquer um consegue aprendê-las? Basta entrar em diálogo direto com a natureza da vida-morte-vida,prestando atenção à voz interna que não é a do ego. Aprenda perguntando à natureza da vida-morte-vida perguntas incisivas sobre o amor e sobre amar; e depois ouça as respostas com atenção. Com isso tudo, aprendemos a não nos deixar levar pela voz irritante que nos diz do fundo da mente: "Isso é uma tolice... Eu é que estou inventando essas coisas." Aprendemos a ignorar essa voz e a dar atenção ao que se ouve por trás dela. Aprendemos a seguir o que ouvimos — tudo aquilo que nosaproxima de uma percepção mais aguçada, do amor de devoção e de uma visão nítida da alma.

Comentários

  1. É bom adotar a prática diária de meditar sobre a repetição do ato de
    desenredar a natureza da vida-morte-vida. O pescador entoa uma pequena canção de
    um único verso, que repete para ajudar na tarefa de desembaraçar a linha. Trata-se
    de uma canção para propiciar a percepção, para auxiliar na soltura da natureza da
    Mulher-esqueleto. Não sabemos o que ele está cantando. Só podemos tentar
    adivinhar. Quando estivermos soltando essa natureza, seria bom que cantássemos
    algo mais ou menos assim: Ao que eu preciso dar mais morte hoje, para gerar mais
    vida? O que eu sei que precisa morrer mas hesito em permitir que isso ocorra? O que
    precisa morrer em mim para que eu possa amar? Qual é a não-beleza que eu temo?
    Que utilidade pode ter para mim hoje o poder do não-belo? O que deveria morrer
    hoje? O que deveria viver? Qual vida tenho medo de dar à luz? Se não for agora,
    quando?

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A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.