Ela não se choca com a escassez, nem tem medo dela.
Não é dominada pela fruição. Suas necessidades de obter, de "conseguir agora mesmo", são transformadas num talento mais refinado que procura todas as facetas do relacionamento, que observa como funcionam em conjunto os ciclos do relacionamento. Ela não tem medo de se relacionar com a beleza da ferocidade, com a beleza do desconhecido, com a beleza do não-belo. E ao aprender e praticar tudo isso,
essa pessoa se torna o perfeito parceiro selvagem.
Como um homem aprende essas coisas? Como qualquer um consegue aprendê-las? Basta entrar em diálogo direto com a natureza da vida-morte-vida,prestando atenção à voz interna que não é a do ego. Aprenda perguntando à natureza da vida-morte-vida perguntas incisivas sobre o amor e sobre amar; e depois ouça as respostas com atenção. Com isso tudo, aprendemos a não nos deixar levar pela voz
irritante que nos diz do fundo da mente: "Isso é uma tolice... Eu é que estou inventando essas coisas." Aprendemos a ignorar essa voz e a dar atenção ao que se ouve por trás dela. Aprendemos a seguir o que ouvimos — tudo aquilo que nosaproxima de uma percepção mais aguçada, do amor de devoção e de uma visão nítida da alma.


É bom adotar a prática diária de meditar sobre a repetição do ato de
ResponderExcluirdesenredar a natureza da vida-morte-vida. O pescador entoa uma pequena canção de
um único verso, que repete para ajudar na tarefa de desembaraçar a linha. Trata-se
de uma canção para propiciar a percepção, para auxiliar na soltura da natureza da
Mulher-esqueleto. Não sabemos o que ele está cantando. Só podemos tentar
adivinhar. Quando estivermos soltando essa natureza, seria bom que cantássemos
algo mais ou menos assim: Ao que eu preciso dar mais morte hoje, para gerar mais
vida? O que eu sei que precisa morrer mas hesito em permitir que isso ocorra? O que
precisa morrer em mim para que eu possa amar? Qual é a não-beleza que eu temo?
Que utilidade pode ter para mim hoje o poder do não-belo? O que deveria morrer
hoje? O que deveria viver? Qual vida tenho medo de dar à luz? Se não for agora,
quando?