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Desembaraçando o esqueleto

A história da Mulher-esqueleto é uma dentre muitas histórias universais de"teste do pretendente". Numa história desse tipo, os amantes precisam provar sua boa intenção e seu poder, demonstrando geralmente que têm os cojones ou ovarios para encarar alguma força numinosa mais poderosa e assustadora... Embora aqui a estejamos chamando de natureza da vida-morte-vida, outros poderiam chamá-la de um aspecto do Self ou de espírito do amor, e ainda outros, de Deus, de Grada, um espírito de energia, ou de uma infinidade de nomes.
O pescador demonstra sua boa intenção, sua força e seu envolvimento crescente com a Mulher-esqueleto ao desemaranhá-la. Ele olha para ela toda dobrada para um lado e para o outro e vê nela um vislumbre de algo, ele nem sabe de quê. Ele havia fugido dela, ofegante e soluçante. Agora ele cogita tocar nela.

Comentários

  1. Só por existir, ela de algum modo está tocando o coração do pescador. Quando compreendermos a
    solidão da natureza da vida-morte-vida, que é constantemente rejeitada, embora não
    por culpa sua... então talvez possamos nos sentir tocados pelo seu sofrimento.
    Se for ao amor que estivermos nos dedicando, muito embora nos sintamos
    apreensivos ou assustados, estaremos dispostos a desembaraçar a linha dos ossos da
    natureza da morte. Estaremos dispostos a ver como tudo isso vai funcionar junto.
    Estaremos dispostos a tocar o não-belo no outro e em nós mesmos. Oculto nesse
    desafio está um teste inteligente do Self. Ele se encontra em termos mais claros nos
    contos em que o belo assume a aparência de feio com o objetivo de pôr à prova a
    personalidade de alguém.

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A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.