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Nos contos de fadas, as lágrimas transformam as pessoas, fazendo com que se lembrem do que é importante e salvando sua própria alma. Somente um coração empedernido refreia o choro e a união. Entre os sufis, existe um ditado, ou melhor, uma oração que pede a Deus que nos magoe: "Dilacere meu coração para que se crie um novo espaço para o Amor Infinito."

O sentimento íntimo de carinho que leva o pescador a desenredar a Mulheresqueleto também lhe permite sentir outros anseios esquecidos, fazer renascer sua compaixão por si mesmo. Como ele está num estado de inocência, ou seja, como imagina tudo ser possível, ele não tem medo de pronunciar os desejos de sua alma. Ele não tem medo de desejar, porque acredita que sua necessidade será satisfeita. É para ele um imenso alívio acreditar que sua alma se realizará. Quando o pescador chora seu sentimento verdadeiro, a reunião com a natureza da vida-morte-vida é propiciada.

Comentários

  1. A lágrima do pescador atrai para ele a Mulher-esqueleto. Faz com que ela sinta
    sede. Faz com que ela deseje participar mais da sua vida. Como nos contos de fadas,
    as lágrimas atraem as coisas para nós, elas consertam tudo, elas fornecem a peça ou o
    pedaço que faltava. Na história africana, "Cachoeiras douradas", um mago protege
    uma menina escrava fugida, chorando tanto que suas lágrimas criam uma cachoeira,
    atrás da qual a menina se refugia. Em outra história africana, "O chocalhar dos
    ossos", as almas de curandeiros mortos são invocadas ao se aspergir a terra com
    lágrimas de crianças. Somos relembrados insistentemente do poder desse enorme
    sentimento. Nas lágrimas há um poder de atração e, dentro da própria lágrima,
    imagens poderosas que nos orientam. As lágrimas não só representam o sentimento,
    mas são também lentes através das quais adquirimos uma visão alternativa.

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A Mulher Esqueleto

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Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.