O pescador na história demora para perceber a natureza do que fisgou. Isso vale para todo mundo a princípio. É difícil perceber o que se está fazendo quando se está pescando no inconsciente.
Quando se é inexperiente, não se sabe que lá no fundo vive a natureza da morte. Quando descobrimos que é com ela que estamos tratando, nosso primeiro impulso é o de jogá-la de volta. Passamos a ser como os pais que
lançam suas filhas rebeldes para fora do caiaque e para o fundo do mar.
Sabemos que os relacionamentos às vezes vacilam quando passam do estágio esperançoso para o estágio de encarar o que realmente está preso no anzol. Isso vale tanto para o relacionamento entre a mãe e o bebê de um ano e meio quanto para os pais e o filho adolescente, para as amizades e para os relacionamentos amorosos de uma vida inteira ou ainda muito recentes. A ligação iniciada com toda a boa vontade oscila e balança, às vezes até cambaleia, quando o estágio de "enamoramento" se encerra. Depois, em vez da encenação de uma fantasia, começa a sério um relacionamento mais desafiador, e toda a nossa experiência e habilidade precisam ser postas em ação.


A Mulher-esqueleto que jaz no fundo do mar é uma forma inerte da vida
ResponderExcluirinstintiva profunda, que conhece de cor a criação da vida, a criação da morte. Se os
amantes insistem numa vida de alegria forçada, de um perpétuo desenrolar de
prazeres e de outras formas de sensações intensas e entorpecedoras; se eles insistem
numa tempestade sexual de Donner und Blitz, trovões e relâmpagos, ou num excesso
de delícias sem nenhum tipo de luta, lá se vai a natureza da vida-morte-vida
penhasco abaixo, de volta ao fundo do mar.
A recusa a permitir a presença de todos os ciclos da vida-morte-vida no
relacionamento amoroso faz com que a natureza da Mulher-esqueleto seja arrancada
do seu habitat psíquico para se afogar.
O relacionamento amoroso assume, então,
ResponderExcluiruma expressão forçada de "...não vamos nunca ficar tristes, vamos sempre ter
prazer", expressão a ser mantida a qualquer custo. A alma do relacionamento
desaparece de vista e sai a vaguear debaixo d'água, sem sentido e inútil.
A Mulher-esqueleto é sempre jogada penhasco abaixo quando um dos
parceiros, ou mesmo os dois, não consegue suportá-la ou compreendê-la. Ela é
atirada de cima do penhasco quando não compreendemos bem seus ciclos de
transformação: quando algo precisa morrer e ser substituído. Se os parceiros não
puderem suportar esses processos da vida-morte-vida, não poderão se amar além das
aspirações hormonais