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O desafio do pescador é o de encarar A Morte, seu abraço e seus ciclos de vida e morte. Ao contrário de outras histórias em que uma criatura submarina é capturada e liberada, concedendo, assim, ao pescador um desejo como expressão de gratidão, A Morte não vai se soltar, A Morte não vai satisfazer desejos por nada.

Ela vem à tona, queiramos ou não, pois sem A Morte não pode haver um real conhecimento da vida e,sem esse conhecimento, não pode haver fidelidade, não pode haver uma devoção ou um amor verdadeiro. O amor tem seu custo. Ele exige coragem. Ele exige que percorramos a distância, como iremos ver.

Comentários

  1. Repetidas vezes observo um fenômeno em amantes, independente do sexo.
    Seria mais ou menos assim: duas pessoas começam uma dança para ver se elas vão
    querer se amar. De repente, a Mulher-esqueleto é fisgada por acaso. Algo no
    relacionamento começa a diminuir e cai em entropia. Com freqüência, o doloroso
    prazer da excitação sexual se abranda, um passa a perceber o lado frágil e ferido do
    outro, ou ainda um deixa de ver o outro como "material digno de admiração", e é aí
    que a velha careca e de dentes amarelos vem à tona.
    Parece tão repulsivo, mas esse é o momento perfeito em que se apresenta uma
    verdadeira oportunidade de demonstrar coragem e de conhecer o amor. Amar
    significa ficar com. Significa emergir de um mundo de fantasia para um mundo em
    que o amor duradouro é possível, cara a cara, ossos a ossos, um amor de devoção.
    Amar significa ficar quando cada célula nos manda fugir.

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A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.