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O ato de desenredar a Mulher-esqueleto revela que ela é antiqüíssima, anterior à história.

É ela quem compara o peso da energia com o da distância, o do tempo com o da libido, o do ânimo com o da sobrevivência. Ela medita, ela examina, ela considera e depois age a fim de investi-lo com uma centelha ou duas, ou com uma chama repentina de fogo grego. Ou ainda ela o abafa, soca ou o extingue totalmente.Ela sabe o que é preciso. Ela sabe quando chegou a hora. Na tarefa de desembaraçá-la, adquirimos a capacidade de pressentir o que virá depois, de compreender melhor como se relacionam todos os aspectos da psique da natureza, como podemos participar. Desembaraçá-la é conquistar um conhecimento articulado do próprio self e do outro. Significa reforçar nossa capacidade para acompanhar as fases, os projetos, as eras de incubação, nascimento e transformação em paz e com a maior graça possível.

Comentários

  1. Portanto, nesse sentido, um parceiro que de início foi muito ingênuo acerca do
    amor vai ficando muito melhor sob esse aspecto por ter observado essa Mulheresqueleto e por ter arrumado seus ossos. À medida que se começa a avaliar os padrões da vida-morte-vida, podem-se prever os ciclos do relacionamento em termos do excesso seguindo-se à falta, e do desgaste seguindo-se à abundância .

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A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.