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Há um ditado que diz que, quando o aluno está pronto, o professor aparece. Isso quer dizer que o professor chega quando a alma, não o ego, está pronta. O mestre vem quando a alma chama — e graças a Deus que isso aconteça pois o ego nunca está perfeitamente pronto.

Se dependesse apenas do preparo do ego o fato de o mestre ser atraído até nós, permaneceríamos essencialmente sem mestres pela vida afora.Somos abençoados, já que a alma continua transmitindo seu desejo ignorando as opiniões inconstantes do ego.
Quando as coisas ficam enredadas e assustadoras nos relacionamentos amorosos, as pessoas receiam que o fim esteja próximo, mas isso não é verdade.Como se trata de uma questão arquetípica e como a Mulher-esqueleto realiza o trabalho do Destino, espera-se que o herói saia correndo pelo horizonte afora, espera-se que A Morte o acompanhe de perto, espera-se que o aprendiz de amante se enfie na sua choupana, ofegante e arquejante, com a esperança de estar são e salvo. E espera-se que a Mulher-esqueleto consiga também entrar nesse abrigo seguro. Espera-se que ele a desemaranhe e assim por diante.

Comentários

  1. Nos namoros modernos a idéia de "dar um tempo" é semelhante ao pequeno
    iglu do pescador, lugar onde ele se sente em segurança. Às vezes, esse medo de
    enfrentar a natureza da morte é desvirtuado, transformando-se numa atitude de
    "fuga da raia", na tentativa de manter apenas os aspectos agradáveis do
    relacionamento, deixando de lado o vínculo com a Mulher-esqueleto. Isso nunca
    funciona.
    Essa atitude provoca extrema ansiedade no parceiro que não está "dando um
    tempo", pois ele próprio está disposto a se encontrar com a Mulher-esqueleto. Ele se
    preparou, se fortaleceu e está tentando manter seus temores sob controle. E agora, no
    exato instante em que está pronto para decifrar o mistério, no momento em que um
    ou o outro está prestes a batucar no coração e conjurar uma vida juntos, um dos
    parceiros grita "ainda não, ainda não" ou "não, nunca, nunca".

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A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.