A imagem do pescador tem algum simbolismo arquetípico em comum com a do caçador; e as duas representam, entre muitas coisas, os elementos psicológicos dos seres humanos que procuram saber, que lutam para nutrir o self por meio da fusão com a natureza instintiva.
Nas histórias, assim como na vida, o caçador e o pescador começam sua saga com uma dentre três atitudes: a atitude de respeito sagrado, a de perversidade ou a desajeitada. Na história da Mulher-esqueleto, vemos que o pescador é um pouco desajeitado. Ele não é perverso, mas tampouco tem uma atitude ou intenção de respeito sacro.


Às vezes, os amantes começam do mesmo modo. No início do relacionamento,
ResponderExcluirestão só à procura de um pouco de emoção, ou de uma dose antidepressiva de uma
"companhia para me ajudar a passar a noite". Sem que percebam, eles
desavisadamente penetram numa parte da sua própria psique e da psique do outro
habitada pela Mulher-esqueleto. Embora seus egos possam estar à procura do prazer,
esse espaço psíquico é terreno sagrado para a Mulher-esqueleto. Se sairmos a pescar
nessas águas, podemos ter certeza de que a fisgaremos.
O pescador considera que está apenas em busca de nutrição e de alimento,
quando na realidade está trazendo das profundezas a natureza feminina dementai
por inteiro, a esquecida natureza da vida-morte-vida. Ela não pode ser ignorada, pois
onde quer que tenha início uma vida nova, a Rainha da Morte aparece. Quando isso
ocorre, pelo menos naquele instante, as pessoas prestam uma atenção temerosa e
enlevada.
Na temática, a Mulher-esqueleto é semelhante a Sedna, outra imagem da
ResponderExcluirvida-morte-vida da mitologia do povo inuit. O pai de Sedna a jogou por sobre a borda
do seu caiaque porque, ao contrário de outras irmãs obedientes da sua tribo, ela havia
fugido com um homem-cão. Como o pai do conto de fadas "A donzela sem mãos", o
pai de Sedna decepou-lhe as mãos. Seus dedos e braços caíram no fundo do mar,
onde se transformaram em peixes, focas e outras formas de vida que deram o
sustento ao povo inuit desde então.
O que sobrou de Sedna também caiu no fundo do mar. Ali, ela se tornou só
ossos e uma longa cabeleira. Nos rituais do povo inuit, os xamãs que vêm para a terra
nadam até ela, trazendo alimentos de paz para aplacar seu guardião rosna-dor, o
marido-cão. Os xamãs penteiam seus longos cabelos enquanto cantam para ela,
implorando-lhe que cure a alma ou o corpo de uma pessoa lá em cima, pois ela é a
grande angakok, mágica. Ela é o grande portão norte da Vida e da Morte.