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Existem, porém, exigências para esse tipo de união. A fim de criar esse amor duradouro, convida-se mais um parceiro para a união. Esse terceiro é a Mulheresqueleto. Ela é também chamada de A Morte e, nesse sentido, ela é a natureza da vida-morte-vida num dos seus muitos disfarces. Nessa sua apresentação, A Morte não é um mal. mas uma divindade.

Num relacionamento, ela desempenha o papel do oráculo que sabe quando chegou a hora de um ciclo começar e terminar. Nessa qualidade, ela é o aspecto selvático do relacionamento, aquele do qual os homens têm mais pavor... e as vezes as mulheres, pois, quando se perdeu a fé na transformação, os ciclos naturais de progresso e de desgaste também são temidos.

A Mulher-esqueleto é uma história de caça a respeito do amor. Nas histórias do norte, o amor não é um encontro romântico entre dois amantes.

As histórias das regiões próximas ao pólo descrevem o amor como a união entre dois seres cuja força reunida permite a um deles, ou a ambos, a entrada em comunicação com o mundo da alma e a participação no destino como uma dança com a vida e a morte. Para compreender esta história, temos de entender que lá, num dos ambientes mais rigorosos e numa das culturas de caça mais notáveis do planeta, o amor não significa um flerte ou uma procura de mero prazer para o ego, mas um vínculo visível composto da força psíquica da resistência, uma união que prevalece na fartura ou na austeridade, que passa pelos dias e noites mais simples e mais complicados. A união de dois seres é considerada angakok, mágica em si mesma, como um relacionamento através do qual "os poderes que existem" se tornam conhecidos aos dois indivíduos.

Entre os lobos, os ciclos da vida-morte-vida da natureza e do destino são encarados com elegância, inteligência e persistência para ficar junto do outro e viver por muito tempo e o melhor possível.

Diferentemente dos seres humanos, os lobos não consideram que os altos e baixos da vida, quer de energia, de poder, de alimento, quer de oportunidade, sejam espantosos ou punitivos. Os picos e os vales simplesmente existem, e os lobos passeiam por eles com a máxima eficácia e facilidade possível. A natureza instintiva tem a capacidade miraculosa de sobreviver a cada dádiva positiva, a cada conseqüência negativa, e ainda manter o relacionamento com o self e com o outro. No entanto, para que os seres humanos vivam dessa forma corretíssima e sejam leais desse jeito que é o mais sábio, o mais duradouro e o mais sensível, é preciso que se enfrente aquilo que mais se teme. Não há meio de escapar, como veremos. Teremos de dormir com a morte.