Tão certo quanto o fato de a Mulher-esqueleto vir à tona, agora essa lágrima, esse sentimento no homem, também chega à superfície.
Ela é uma aula de amor a si
mesmo e ao outro. Despido, agora, de todos os espinhos, anzóis e facas do mundo
diurno, o homem atrai a Mulher-esqueleto para se deitar ao seu lado, para beber e se
nutrir com seu sentimento mais profundo. Nessa sua nova forma, ele é capaz de
saciar a sede do outro.
O espírito da Mulher-esqueleto foi invocado pelo seu pranto — idéias e forças
de partes remotas do mundo psíquico unem-se no calor da sua lágrima. A história do
símbolo da água como criador, como caminho, é antiga e variada. A primavera chega
com uma chuva de lágrimas. A entrada para o mundo subterrâneo ocorre com uma
cascata de lágrimas. Uma lágrima, percebida por uma pessoa bondosa, é
compreendida como um pedido de aproximação. E assim chora o pescador, e a
mulher se aproxima um pouco mais. Sem aquela lágrima, ela ela continuaria sendo só
ossos. Sem aquela lágrima, ele nunca despertaria para o amor.
A lágrima de quem sonha surge quando aquele que virá a ser um amante se
permite sentir seus próprios ferimentos e curá-los, quando ele se permite ver a
autodestruição provocada pela perda da sua fé na bondade do self, quando ele se
sente isolado do ciclo protetor e revitalizante da natureza da vida-morte-vida. É então
que ele chora, por sentir sua solidão, uma imensa saudade daquele local psíquico,
daquele saber primitivo.

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