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A história também nos fala de como entrar num relacionamento de enriquecedora cooperação com o que tememos. Ela é exatamente aquilo a que precisamos emprestar nosso coração.

Quando o homem se funde com a Mulher-esqueleto, ele fica o mais íntimo possível dela, e isso faz com que ele conquiste a máxima intimidade com sua parceira. Para descobrir essa eminente conselheira da vida e do amor, basta que paremos de correr, que a desemaranhemos um pouco, que encaremos a ferida e nosso próprio anseio de compaixão, que dediquemos nosso coração inteiro a esse processo.
Portanto, no final, ao se prover de carne, a Mulher-esqueleto representa na íntegra o processo de criação. No entanto, em vez de começar a vida como bebê, da maneira que nós, ocidentais, aprendemos a pensar na vida e na morte, ela começa a partir dos ossos e vai se enchendo de carne. Ela ensina o homem a criar uma vida nova. Ela lhe mostra que o caminho do coração é o caminho da criação. Ela lhe demonstra que a criação é uma série de nascimentos e mortes. Ela ensina que o excesso de proteção não cria nada, que o egoísmo não cria nada, que se agarrar às coisas e berrar não resulta em nada. Só a soltura, a doação do coração, o grande tambor, o magnífico instrumento da natureza selvagem, é só isso que cria.

Comentários

  1. É assim que o relacionamento amoroso deveria funcionar, com cada parceiro
    transformando o outro. A força e poder de cada um são desembaraçados,
    compartilhados. Ele lhe dá seu tambor do coração. Ela lhe transmite o conhecimento
    dos ritmos e emoções mais complicados que se possa imaginar. Quem sabe o que os
    dois irão caçar juntos? Só sabemos que eles se nutrirão até o final dos seus dias.

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A Mulher Esqueleto

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Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.