A história também nos fala de como entrar num relacionamento de enriquecedora cooperação com o que tememos. Ela é exatamente aquilo a que precisamos emprestar nosso coração.
Quando o homem se funde com a Mulher-esqueleto, ele fica o mais íntimo possível dela, e isso faz com que ele conquiste a
máxima intimidade com sua parceira. Para descobrir essa eminente conselheira da
vida e do amor, basta que paremos de correr, que a desemaranhemos um pouco, que
encaremos a ferida e nosso próprio anseio de compaixão, que dediquemos nosso
coração inteiro a esse processo.
Portanto, no final, ao se prover de carne, a Mulher-esqueleto representa na
íntegra o processo de criação. No entanto, em vez de começar a vida como bebê, da
maneira que nós, ocidentais, aprendemos a pensar na vida e na morte, ela começa a
partir dos ossos e vai se enchendo de carne. Ela ensina o homem a criar uma vida
nova. Ela lhe mostra que o caminho do coração é o caminho da criação. Ela lhe
demonstra que a criação é uma série de nascimentos e mortes. Ela ensina que o
excesso de proteção não cria nada, que o egoísmo não cria nada, que se agarrar às
coisas e berrar não resulta em nada. Só a soltura, a doação do coração, o grande
tambor, o magnífico instrumento da natureza selvagem, é só isso que cria.


É assim que o relacionamento amoroso deveria funcionar, com cada parceiro
ResponderExcluirtransformando o outro. A força e poder de cada um são desembaraçados,
compartilhados. Ele lhe dá seu tambor do coração. Ela lhe transmite o conhecimento
dos ritmos e emoções mais complicados que se possa imaginar. Quem sabe o que os
dois irão caçar juntos? Só sabemos que eles se nutrirão até o final dos seus dias.