Pular para o conteúdo principal

A dança do corpo e da alma

Através dos seus corpos, as mulheres vivem muito perto da natureza da vidamorte-vida. Quando as mulheres estão em pleno uso de sua mente instintiva, suas idéias e impulsos no sentido de amar, de criar, de acreditar, de desejar, nascem, cumprem seu tempo, fenecem e morrem, para renascer mais uma vez. Seria possível dizer que as mulheres põem esse conhecimento em prática no consciente e no inconsciente a cada ciclo lunar nas suas vidas. Para algumas, essa lua que determina os ciclos está lá no céu. Para outras, ela é a Mulher-esqueleto que vive nas suas próprias psiques.A partir da sua própria carne e dos seus próprios ossos, bem como dos ciclos constantes de enchimento e de esvaziamento do vaso vermelho do seu ventre, a mulher compreende em termos físicos, emocionais e espirituais que os apogeus têm seu declínio e sua morte, e que o que sobra renasce de um jeito inesperado e por meios inspirados, só para voltar ao nada e mais uma vez retornar em pleno esplendor. Como podemos ver, os ciclos da Mulher-esqueleto permeiam e perpassam a mulher inteira. Não pode ser diferente

Comentários

  1. As vezes, os homens que ainda estão fugindo da natureza da vida-morte-vida
    têm medo de uma mulher dessas, porque pressentem ser ela uma aliada natural da
    Mulher-esqueleto. No entanto, nem sempre foi assim.
    O símbolo da Mulheresqueleto é um resquício de um tempo em que se sabia muito sobre a morte como
    transformação espiritual; em que A Morte era bem-vinda como um parente próximo,
    como nossa própria irmã, mãe, irmão, pai ou amante. Nas fantasias femininas, a
    Morte Mulher, a Mãe Morte ou a Morte Donzela sempre foi interpretada como a
    portadora do destino, a criadora, a virgem ceifadora, a mãe, a que caminha pelo rio e
    a recriadora: todos esses papéis num ciclo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.