Há uma enorme diferença entre a necessidade de solidão e renovação e o desejo de "dar um tempo" para evitar a inevitável ligação com a Mulher-esqueleto. No entanto, a ligação, no seu sentido de aceitação da natureza da vida-morte-vida e de permuta com ela, é o passo seguinte na direção de um fortalecimento da nossa capacidade para amar.
Aqueles que entrem num relacionamento com ela conquistarão um duradouro talento para o amor. Aqueles que se recusarem não conquistarão nada. Não há como evitar isso. A verdade é que não existe a sensação de se estar "completamente pronto" ou de ser aquela a "hora certa". Como acontece em qualquer mergulho no inconsciente, chega uma hora em que simplesmente torcemos que dê certo, apertamos o nariz e saltamos no abismo. Se não fosse assim, não teríamos precisado criar as palavras herói, heroína ou coragem.
É preciso realizar o trabalho do aprendizado da natureza da vida-morte-vida.
Rejeitada, a Mulher-esqueleto afunda para debaixo d'água, mas ela surgirá novamente e sairá no nosso encalço insistente. É essa a sua função. A nossa função é a de aprender. Se quisermos amar, não há como evitar esse aprendizado. O trabalho de abraçá-la é uma tarefa. Sem uma tarefa desafiadora, não pode haver transformação. Sem uma tarefa, não há uma satisfação verdadeira. Amar os prazeres é fácil. Já amar de verdade exige um herói que consiga controlar seu próprio medo.



Admite-se que muitas pessoas mesmo alcancem esse estágio de "fugir e se
ResponderExcluiresconder". Algumas infelizmente voltam sempre a ele. A entrada na toca está
marcada com sulcos desesperados. No entanto, quem quer amar imita o pescador.
Ele se esforça para acender o fogo e encarar a natureza da vida-morte-vida. Ele
contempla o que teme e, paradoxalmente, reage com convicção e assombro.