Pular para o conteúdo principal

Há uma enorme diferença entre a necessidade de solidão e renovação e o desejo de "dar um tempo" para evitar a inevitável ligação com a Mulher-esqueleto. No entanto, a ligação, no seu sentido de aceitação da natureza da vida-morte-vida e de permuta com ela, é o passo seguinte na direção de um fortalecimento da nossa capacidade para amar.

Aqueles que entrem num relacionamento com ela conquistarão um duradouro talento para o amor. Aqueles que se recusarem não conquistarão nada. Não há como evitar isso. A verdade é que não existe a sensação de se estar "completamente pronto" ou de ser aquela a "hora certa". Como acontece em qualquer mergulho no inconsciente, chega uma hora em que simplesmente torcemos que dê certo, apertamos o nariz e saltamos no abismo. Se não fosse assim, não teríamos precisado criar as palavras herói, heroína ou coragem.
É preciso realizar o trabalho do aprendizado da natureza da vida-morte-vida. Rejeitada, a Mulher-esqueleto afunda para debaixo d'água, mas ela surgirá novamente e sairá no nosso encalço insistente. É essa a sua função. A nossa função é a de aprender. Se quisermos amar, não há como evitar esse aprendizado. O trabalho de abraçá-la é uma tarefa. Sem uma tarefa desafiadora, não pode haver transformação. Sem uma tarefa, não há uma satisfação verdadeira. Amar os prazeres é fácil. Já amar de verdade exige um herói que consiga controlar seu próprio medo.

Comentários

  1. Admite-se que muitas pessoas mesmo alcancem esse estágio de "fugir e se
    esconder". Algumas infelizmente voltam sempre a ele. A entrada na toca está
    marcada com sulcos desesperados. No entanto, quem quer amar imita o pescador.
    Ele se esforça para acender o fogo e encarar a natureza da vida-morte-vida. Ele
    contempla o que teme e, paradoxalmente, reage com convicção e assombro.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.