Essa história é uma imagem adequada para o problema do amor moderno, o medo da natureza da vida-morte-vida, em especial do aspecto morte. Em grande parte da cultura ocidental, o personagem original da natureza da morte foi encoberto por vários dogmas e doutrinas até o ponto em que se separou de vez da sua outra metade, a vida.
Fomos ensinados, equivocadamente, a aceitar a forma mutilada de um dos aspectos mais básicos e profundos da natureza selvagem. Aprendemos que a morte é sempre acompanhada de mais morte. Isso simplesmente não é verdade. A
morte está sempre no processo de incubar uma vida nova, mesmo quando nossa existência foi retalhada até os ossos.
Em vez de considerar os arquétipos da morte e da vida como opostos, devemos encará-los juntos como o lado esquerdo e o direito de um único pensamento. É fato que dentro de um único relacionamento amoroso existem muitos finais. Mesmo
assim, de algum modo e em algum ponto nas delicadas camadas do ser criado quando duas pessoas se amam, existe um coração e um alento. Enquanto um lado do coração se esvazia, o outro se enche.
Quando uma respiração termina, outra se inicia.
Se acreditarmos que a força da vida-morte-vida não tem mais nenhum papel depois da morte, não é de se estranhar que alguns seres humanos tenham pavor do compromisso.
Eles têm um medo horrível de passar por um final que seja. Não conseguem suportar a ideia de passar da varanda para os aposentos do interior da casa. Têm medo porque pressentem que lá na copa da casa do amor está sentada A
Morte, batendo com o dedo do pé no chão, dobrando e redobrando suas luvas. Diante dela está uma lista de tarefas: de um lado, os que estão vivendo; do outro, os que estão morrendo.
Ela pretende terminar seu trabalho. Está determinada a manter um equilíbrio


O arquétipo da força da vida-morte-vida é extremamente mal compreendido
ResponderExcluirem muitas culturas modernas. Algumas não entendem mais que A Morte é carinhosa
e que a vida se renovará com seu auxílio. Em muitos folclores, ela recebe uma atenção
sensacionalista: diz-se que carrega uma grande foice para "ceifar" a vida dos que de
nada suspeitam, que beija suas vítimas e deixa cadáveres espalhados por onde passa,
ou que ela os afoga e fica uivando noite adentro.
Em outras culturas, porém, como na do leste da índia e na cultura maia, que
têm maior cuidado com o ensino sobre a roda da vida e da morte, A Morte abraça os
que já estão morrendo, abrandando sua dor e proporcionando alívio. Diz-se que ela
vira o bebê no útero para a posição de cabeça para baixo a fim de que ele possa
nascer. Diz-se que ela guia as mãos da parteira, que abre o caminho para o leite nos
seios maternos e que ainda consola quem quer que esteja chorando sozinho. Em vez
de criticá-la, quem a conhece em seu ciclo completo respeita sua generosidade e suas
lições.