Entre o povo inuit, o corvo é o trickster. Em seu lado não desenvolvido, ele é uma criatura voltada para o apetite. Ele aprecia apenas o prazer e tenta evitar toda e qualquer incerteza assim como os temores gerados por ela. Ele é muito cauteloso e extremamente voraz, ao mesmo tempo. Se algo não lhe parecer satisfatório de imediato, ele sente medo. Se lhe parecer satisfatório, ele ataca.
O corvo gosta das belas conchas nacaradas, de contas de prata, de banquetes intermináveis, de mexericos e do sono aquecido sobre o buraco da chaminé. O egocorvo é o pretendente que quer " uma coisa certa". O ego-corvo teme que a paixão termine. Ele tem medo e tenta evitar o fim da refeição, o fim do fogo, o fim do dia e o fim do prazer. Ele passa a agir com astúcia sempre prejudicando a si mesmo pois,quando se esquece da própria alma, ele perde seu poder.
O ego-corvo receia que, se admitirmos a natureza da vida-morte-vida nas nossas vidas, nunca mais seremos felizes. Afinal, será que esse tempo todo fomos assim tão perfeitamente felizes, hein? Não. Só que o ego-corvo é muito simplório,como uma criança antes de ser socializada, e também uma criança não muito otimista. Ele é mais como uma criança que passa o tempo todo observando para ver
qual é a fatia maior, qual cama é a mais macia, qual namorado é o mais bonito.


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