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A Mulher-esqueleto, que passou uma eternidade debaixo d'água, também pode ser compreendida como a força da vida-morte-vida de uma mulher que tenha sido mal utilizada ou que tenha ficado sem uso.

Em sua forma essencial exumada, ela governa a capacidade intuitiva e emotiva de completar os ciclos vitais de nascimentos e encerramentos, de lamentações e festejos. Ela é a que observa as coisas. Ela sabe dizer quando chegou a hora de um lugar, uma coisa, um ato, um grupo ou um relacionamento morrer. Esse dom, essa sensibilidade psicológica, aguarda aqueles que se disponham a soerguê-la ao nível do consciente pelo ato de amar o outro.

Comentários

  1. Uma parte de cada mulher e de cada homem resiste ao reconhecimento de que
    a morte deve participar de todos os relacionamentos de amor. Nós fingimos que
    podemos amar sem que morram nossas ilusões acerca do amor, fingimos que
    podemos prosseguir sem que morram nossas expectativas superficiais, fingimos que
    podemos ir em frente e que nossas emoções preferidas nunca morrerão. No amor,
    porém, em termos psíquicos, tudo é dissecado, tudo. O ego não quer que isso ocorra.
    No entanto, é assim que deve ser, e a pessoa provida de uma natureza profunda e
    selvagem é inegavelmente atraída pela tarefa.

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  2. O que morre? As ilusões, as expectativas, a voracidade de querer tudo, de
    querer que tudo seja só lindo, tudo isso morre. Como o amor sempre provoca uma
    descida até a natureza da morte, podemos perceber por que é preciso grande poder
    sobre si mesmo e plenitude de alma para assumir esse compromisso. Quando uma
    pessoa se dedica a amar, ela também está se dedicando a ressuscitar a Mulher esqueleto e todos os seus ensinamentos.

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A Mulher Esqueleto

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas. CLARISSA PINKOLA ESTÉS, Ph.D. Cheyenne Wyoming

Este blog foi feito á partir do livro... Estes, Clarissa Pinkola Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem/de Clarissa Pinkola Estes;tradução de Waldéa Barcellos; consultoria da coleção, Alzira M. Cohen. – Rio de Janeiro: Rocco, 1994. (Arcos do Tempo)

As vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos.

Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços — todos no mesmo relacionamento. O processo se complica com o fato de que grande parte da nossa cultura excessivamente civilizada tem dificuldade para tolerar o que tiver natureza transformadora. Existem atitudes melhores para nosso envolvimento com a natureza da vida-morte-vida. Em todo o mundo, embora lhe atribuam nomes diferentes, muitos vêem essa natureza como un baile con La Muerte, uma dança com a morte: a Morte como um dos parceiros, a Vida como o outro.